sexta-feira, 20 de maio de 2011

Tsukiji - Mercado do Peixe

No dia a seguir ao terramoto, tínhamos planeado ir para Norte, à cidade de Nagano, ver os Macacos da Neve. No entanto, devido ao sismo, algumas da estradas que ligam Tokyo a Nagano ficaram danificadas. Assim, quando fomos ao terminal de autocarros e nos disseram que a viagem não seria realizada naquele dia, perguntaram-nos se queríamos ir no dia seguinte e emitiram novos bilhetes.

Já que nos tínhamos levantado às 5 da manhã para ir a Nagano, decidimos aproveitar e visitar um sítio onde a maior actividade se dá entre a madrugada e o período inicial da manhã: o grande Mercado do Peixe de Tsukiji!

É daqui que vem o peixe para fornecer a cidade de Tokyo. E não é só o peixe que é comercializado aqui. Vê-se também todo o tipo de marisco, moluscos e outros produtos do mar (como, por exemplo, algas). Muitos destes são vendidos ainda vivos!!!

E um espaço bastante grande, como um barracão gigante que, apesar do seu tamanho, não perde a atmosfera de um mercado tradicional:


Em todo o lado estão presentes umas "motoretas" muito cómicas:


E agora, para satisfazer a curiosidade, alguns produtos à venda...

segunda-feira, 16 de maio de 2011

O Terramoto

Nos quatro cantos do Mundo ouviu-se falar no Sismo de Magnitude 9 na Escala de Richter que se fez sentir na costa Japonesa, perto de Sendai, no dia 11 de Março de 2011.

Era a nossa segunda Sexta-Feira no NII. Um início de tarde perfeitamente normal... E, de repente, o chão começou a tremer!...

... A tremer mais um bocadinho... (Até aqui todos estávamos com um ar descontraído)...
... A tremer um pouco mais (Algumas caras mais sérias)...
... A tremer mais ainda... (Alguns olhos esbugalhados)...
... A tremer bastante (Recomendações para nos afastarmos das janelas)...
... A tremer imenso (Os prédios lá fora a abanar como se fossem feitos de plasticina)....
... Ainda a tremer (E nesta altura só tínhamos de manter a calma e esperar que passasse).

E, claro, acabou por passar.

Como se devem lembrar, o nosso local de trabalho localiza-se no 16º andar. Ao mesmo tempo que este facto intensificou a sensação do sismo, permitiu-nos observar a reacção calma de um povo que é treinado para este tipo de circunstâncias desde a escola primária.

Alunos de uma escola no campo de jogos após o sismo

População em geral no exerior dos edifícios após o sismo

Depois do sismo, continuámos no nosso local de trabalho. A nossa reunião semanal, que se dá à Sexta-Feira, manteve-se embora, durante as cerca de duas horas de reunião, tenhamos sentido uma série de réplicas!

No final do dia de trabalho, em vez de irmos ao Karaoke com toda a gente do trabalho, como combinado, regressámos a casa para ver os estragos. Como o metro estava fechado por razões de segurança, tivemos de fazer o percurso a pé (10,5 Km), que nos levou cerca de 3h30. Inúmeras pessoas fizeram o mesmo e, por isso, as ruas estavam muito movimentadas!...



Uma vez em casa, respirámos fundo ao verificarmos que não havia grandes estragos. Embora a televisão tivesse caído "face down" e a torradeira estivesse toda desfigurada no chão, além de alguns papéis e embalagens que caíram, nada se estragou.

Durante a noite, acordámos com uma série de réplicas, algumas mais fortes do que outras. Podemos dizer (principalmente a Sandra) que acordar com réplicas (despertadores naturais) e as portas e janelas a bater, não é das sensações mais confortáveis do mundo :)

No dia seguinte, verificámos que os efeitos em Tokyo foram mínimos, pelo menos do que nós vimos. A frase "não vi um vidro partido" foi amplamente usada pelo Gonçalo para ilustrar a qualidade da construção japonesa e a robustez aos sismos.

No entanto, no resto do país não foi bem assim, em especial na Costa Nordeste, perto de Sendai. Não só o sismo, mas em especial o Tsunami, foi devastador, como infelizmente todos sabemos.

Nos dias seguintes, sentiram-se inúmeras réplicas, como podemos ver nas imagens, em que cada círculo ou ponto representa um sismo.



Se quiserem ver mais informação sobre os sismos no Japão, desde 11 de Março, podem consultar este site.

Alguns vídeos sobre o Sismo e os efeitos deste:
Remoinho gigante causado pelo tsunami
Vista de terra da altura da onda
Vista de helicóptero da onda
Edifício a tremer
Chão a abrir

O Interregno

Olá outra vez!

Depois do sismo do dia 11 de Março, que resultou no desastre nuclear de Fukushima, fazendo com que deixássemos o Japão, estamos finalmente de volta!

Agora que voltámos a terras Nipónicas, estamos prontos para continuar a partilhar as nossas aventuras e experiências. Temos muito para contar desde o Sushi até ao nosso regresso, por isso não se admirem se nos próximos dias publicarmos vários posts!

Good to be back :)

quarta-feira, 23 de março de 2011

Gastronomia Japonesa PT II: Sushi (First Contact)!

Para nos redimirmos da vergonha de ainda não termos provado sushi japonês quando reportámos os primeiros convívios com a gastronomia nipónica, podemos dizer-vos com todo o orgulho que já provámos sushi neste belo país!
Comprámos então, num mini-mercado perto do local de trabalho, duas caixinhas de sushi...


... com um aspecto delicioso...

Sushi #1 com aspecto delicioso
Sushi #2 com aspecto delicioso
... que, felizes da vida, nos apressámos a provar (depois do momento fotográfico, é claro)!


Só que......
... o Sushi #1 era de salmão e, mesmo assim, não conseguia obter uma classificação superior a "OK". Por sua vez, o outro (Sushi #2) era absolutamente intragável!!!

O Gonçalo ainda conseguiu, a muitíssimo custo, comer uns 4 rolinhos. Mas a Sandra, só com o aspecto filamentoso e o cheiro emanado pela substância (na altura desconhecida), desistiu de ingerir tal alimento!...

Conclusão 1: não comprar sushi no mini-mercado.
Conclusão 2: a substância do Sushi #2 é natto. Tivemos esta revelação em conversa com colegas de trabalho que, quando descrevemos o cheiro e textura, de imediato fizeram uma careta e disseram "isso é natto!!!", mostrando logo de seguida algumas imagens como esta:

Natto
Falemos então um pouco deste alimento. Segundo a Wikipedia:

"(...) o natto é único devido ao seu poderoso cheiro, sabor forte e consistência pegajosa."
"O natto tem um aroma característico que alguns acham repulsivo. Mas a soja viscosa é nutritiva."
"(...) existe no mercado o natto inodoro, para quem deseja evitar o cheiro."
"(...) os inconfundíveis fios de natto (...) podem ser esticados até 6 metros."

Nham nham!...

... Não!

Bom, depois de uma bela lição sobre mais uma peculiaridade da cozinha japonesa sentimo-nos motivados a não voltar a comprar sushi no mini-mercado e...
... a ir a um sushi-bar comer sushi como deve ser - sem natto!

Akihabara - A Cidade Eléctrica

Akihabara fica no centro de Tóquio e a uma distância de 15-20 minutos a pé do NII (National Institute of Informatics).

Chegada a Akihabara (de Jimbocho)
Ruas de Akihabara
Esta zona é famosa pela quantidade astronómica de estabelecimentos onde se vendem produtos electrónicos. Variam desde sofisticadas lojas de 6 andares onde se vende material informático e electrodomésticos até pequenas bancas de rua (ou galerias) onde são comercializados todos os tipos de componentes electrónicos para a construção de circuitos integrados.

Loja de electrodomésticos (Reparem, mesmo à entrada, nas máquinas para fazer arroz!)
Na cave da mesma loja, computadores portáteis
Transformadores com um aspecto mais "duvidoso"

O mercado onde se encontram as pequenas bancas de que falámos acima corresponde a uma zona onde surgiu um mercado negro durante a Segunda Guerra Mundial, onde eram vendidas peças de rádio. Desta tradição resta apenas o nome, Radio Market, e uma ligeira (ou não tão ligeira) obsessão por walkie-talkies.

Walkie talkies à venda no Radio Market, Akihabara
Hoje em dia vende-se neste mercado um pouco de tudo o que é electrónico. Vêem-se artigos como câmaras de segurança, mini-televisões e transformadores de todos os tipos (foi aqui que o Gonçalo comprou um novo transformador para o portátil, já que se tinha esquecido do original em Portugal). Mas o que mais nos chamou a atenção foram as bancas, alinhadas em pequenas ruelas, onde são comercializadas centenas de chips de todas as formas e feitios, condensadores, transístores e dezenas de outros componentes electrónicos.


De acordo com o que lemos, a zona de Akihabara tem, na sua totalidade uma extensão comparável à da Avenida da Liberdade. Contudo, os edifícios são "um pouco" diferentes, como vêem - a luz e a cor são impressionantes, convidando japoneses e estrangeiros a fazer uma (sempre interessante) visita!

terça-feira, 22 de março de 2011

Ueno Parte II

Voltámos à zona de Ueno no dia seguinte à visita ao mercado de Ueno, para vermos tudo o que a ausência de luz solar nos impediu de ver... Ou seja, os jardins!

Depois de um almoço no MacDonalds [Gonçalo] / uma sandes e um chocolate (viva a normalidade!) [Sandra], seguimos então para os jardins de Ueno onde, logo à entrada do primeiro templo, um simpático japonês nos tirou uma fotografia.


Ao passearmos pelo parque aprendemos um pouco da sua história. Este parque situa-se no local onde outrora se encontrava o templo de Kaneji, um dos maiores e mais ricos templos da cidade. No entanto, durante a Guerra Civil de 1868, foi praticamente destruído, dando lugar à construção de um dos primeiros parques ao estilo ocidental. Da sua história resta uma estátua do General Saigo Takamori, que lutou na batalha de Ueno.

General Saigo Takamori
Como sempre, deparámo-nos com um pitéu curioso: espirais de batata! Este petisco consiste basicamente numa batata, que é cortada em forma de espiral, ainda com a casca, e frita. Claro que, à boa maneira japonesa, é apresentada numa espetada!


Este parque é muito frequentado por japoneses, sozinhos ou acompanhados. Existe um grande lago com imensos barcos e gaivotas, onde as pessoas passam um domingo descontraído.

No meio do lago localiza-se o templo dedicado a Bentendo, a deusa da "Prosperidade, Riqueza, Música e Conhecimento".


Também em Ueno existe uma avenida de Sakuras (cerejeiras em flor), onde na altura da Primavera existe, todos os dias, um jantar à luz das lanternas típicas japonesas, em que qualquer pessoa pode participar - basta aparecer!

Avenida de Sakuras
Neste parque existe um outro templo, com uma entrada realmente imponente, que consiste numa fileira de pequenos Toris vermelhos.


No meio de toda esta cultura e misticismo, os vossos amigos não podiam deixar de aproveitar para absorver tudo ao mais ínfimo detalhe. Provas? Ei-las! :)


E foi neste contexto que nos auto-entitulámos de "narigudos"... Pois é, sempre a meter o nariz!

Ao encontrarmos o grande rosto de um Buda, questionámo-nos acerca da sua história. A posteriori descobrimos que corresponde a uma estátua completa de que, após um terramoto em 1647, apenas resta a face!


Mas os monumentos não acabam aqui! Ao lado de um templo (em restauro), encontrámos uma bonita pagoda que, embora não se note aqui (é inteligente ter as fotos pequenas, não é?) também precisava de umas pequenas obras!...

Pagoda
Templo em restauro (reparem que a parte de trás é uma tela com uma representação do templo original)

Mercado de Ameyoko (Ueno)

Segundo se lembram do nosso último post, depois de Asakusa seguimos a pé para a zona de Ueno. Gostamos de evitar o metro, e não é só por forretice!... A verdade é que acabamos por mais facilmente encontrar à superfície relíquias como...

... lojas com armas tradicionais japonesas...


... templos grandiosos mas infelizmente nem todos em perfeitas condições de conservação...


... e outros templos que, embora secundários, são autênticas pérolas... Uma curiosidade interessante é que era muito comum para os japoneses, há alguns séculos atrás, mover os templos de um local para o outro.

Um outro templo no meio da cidade.
Sino em cobre
Papéis com pedidos aos deuses Xintoístas num "templo do dia-a-dia". Na falta de placas de madeira, os japoneses colocam papéis correspondentes aos seus pedidos e atam-nos às árvores.

Uma vez em Ueno, ficámos boquiabertos com a quantidade de pessoas que andam nas ruas, comparável à zona de Shibuya.


Não pudemos deixar de visitar o interior da estação de Ueno, uma das mais importantes da cidade. Verificámos que o aspecto está totalmente em conformidade com esse estatuto!...


Depois de visitarmos a estação, deambulámos um pouco pelas ruas, atraídos pelo movimento. Foi assim que chegámos ao Mercado de Ameyoko, um mercado movimentado ao longo da linha de comboio de Yamanote, onde na altura de Segunda Guerra Mundial surgiu um mercado negro.

Foi neste mercado que comemos espetadas de abacaxi que nos fizeram reduzir um pouco as saudades de fruta. De facto, aqui vende-se de tudo: peixe fresco, algas, ovas, fruta fresca e seca, especiarias, roupa e calçado, entre outros.

Peixe (fresco e seco) e ovas
Algas frescas

Depois de um dia cheio de experiências, apanhámos o metro para regressar a casa, já que o facto de escurecer cedo nos impediu de visitar o parque de Ueno e os seus templos.


Voltámos, claro, no dia seguinte...